quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Bispos apelam à oração para que o Papa Francisco não conceda a Eucaristia aos adúlteros

D. Tomash Peta, Arcebispo Metropolita de Astana, D. Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar de Astana e D. Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








O apelo dos bispos

+ Tomash Peta, Arcebispo Metropolita de Astana

+ Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda

+ Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Astana

Após a publicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia, em algumas igrejas particulares, foram publicadas normas aplicativas e interpretações, segundo as quais os divorciados que atentaram o matrimônio com um novo parceiro apesar do vínculo sacramental com o qual estão unidos aos seus legítimos cônjuges, são admitidos aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia sem cumprirem o dever divinamente estabelecido de cessarem a violação do seu vínculo matrimonial sacramental.

A convivência more uxorio com uma pessoa que não seja o legítimo cônjuge é ao mesmo tempo uma ofensa à Aliança da salvação, da qual o matrimônio sacramental é sinal (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2384), e uma ofensa ao caráter esponsal do próprio mistério eucarístico.

O Papa Bento XVI pôs em relevo essa mesma correlação:

«A Igreja corrobora de forma inexaurível a unidade e o amor indissolúveis de cada matrimônio cristão.

Neste, em virtude do sacramento, o vínculo conjugal está intrinsecamente ligado com a união eucarística entre Cristo esposo e a Igreja esposa (Ef 5, 31-32)» – Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 27.

Pastores da Igreja que toleram ou até autorizam – mesmo que em casos singulares ou excepcionais – que divorciados assim chamados “recasados” possam receber o sacramento da Eucaristia sem que tenham a “veste nupcial”, a despeito de que o próprio Deus na Sagrada Escritura (cf. Mt 22, 11 e 1 Cor 11, 28-29) o tenha prescrito com vista a uma participação digna no banquete nupcial eucarístico, colaboram, desta forma, com uma ofensa contínua contra o vínculo do sacramento do matrimônio, contra o vínculo nupcial entre Cristo e a Igreja e contra o vínculo nupcial entre Cristo e a alma que recebe o Seu Corpo eucarístico.

Diversas igrejas particulares emanaram ou recomendaram as seguintes orientações pastorais formuladas assim ou de modo similar:

“Assim, se esta escolha [viver em continência] for difícil de pôr em prática para a estabilidade do casal, a Amoris laetitia não exclui a possibilidade de ter acesso à Penitência e à Eucaristia. Isto significa uma certa abertura, como no caso em que há a “certeza moral de que o primeiro matrimônio foi nulo, mas sem que haja qualquer prova para o demonstrar em sede judicial […]

Portanto, não pode ser outro senão o confessor que, a um certo ponto, em consciência, depois de muita reflexão e oração, assume a responsabilidade diante de Deus e do penitente, e solicita que o acesso aos sacramentos aconteça de forma reservada.”

Imagem de bronze de São Pedro na basílica vaticana
Imagem de bronze de São Pedro na basílica vaticana
As mencionadas orientações pastorais contradizem a tradição universal da Igreja Católica, que através do ininterrupto ministério Petrino dos Sumos Pontífices sempre guardou fielmente e sem sombra de dúvida ou ambiguidade, tanto na doutrina como na prática, tudo o que diz respeito à verdade sobre a indissolubilidade do matrimônio.

As referidas normas e orientações pastorais contradizem também na prática as seguintes verdades e doutrinas que a Igreja Católica tem continuamente e de forma segura ensinado.

A observância dos Dez Mandamentos de Deus, e em particular do Sexto Mandamento, é obrigatória para qualquer pessoa humana sem exceção, sempre e em qualquer situação.

Nestas matérias, não podem ser aceites casos ou situações excepcionais ou que se fale em termos de um ideal mais pleno.

São Tomás de Aquino diz: «Os preceitos do Decálogo contêm a própria intenção do legislador, isto é, de Deus. Portanto, os preceitos do Decálogo não admitem dispensa alguma» (Summa theol., 1-2, q. 100, a. 8c).

As exigências morais e práticas decorrentes da observância dos Dez Mandamentos de Deus e, em particular, da indissolubilidade do matrimônio, não são simples normas ou leis positivas da Igreja, mas a expressão da vontade santa de Deus.

Sendo assim, não se pode falar, neste contexto, do primado da pessoa sobre a norma ou a lei, mas deve falar-se, em vez disso, do primado da vontade de Deus sobre a vontade da pessoa humana pecadora, para que esta seja salva, cumprindo com a ajuda da graça a vontade de Deus.

Acreditar na indissolubilidade do matrimônio e contradizê-la com os próprios atos, considerando-se, ao mesmo tempo, livre de pecado grave, de modo a tranquilizar a própria consciência apenas pela fé na misericórdia Divina, é um auto-engano, contra o qual avisou Tertuliano, uma testemunha da fé e da prática da Igreja nos primeiros séculos:

“Alguns dizem que para Deus é suficiente que se aceite a Sua vontade com o coração e com a alma, mesmo que as ações não correspondam: pensam, deste modo, poder pecar mantendo íntegro o princípio da fé e do temor a Deus: isto é exatamente como se alguém pretendesse manter um princípio de castidade, violando e corrompendo a santidade e a integridade do vínculo matrimonial” (Tertuliano, De paenitentia 5, 10).

Moisés com os Dez Mandamentos
Gustave Doré (1832 — 1883)
A observância dos Mandamentos de Deus e, em particular, da indissolubilidade do matrimônio, não pode ser apresentada como um ideal mais pleno a ser alcançado de acordo com o critério do bem possível ou factível.

Trata-se sim de um dever ordenado inequivocamente pelo próprio Deus, cujo desrespeito implica, de acordo com a Sua palavra, a condenação eterna.

Dizer aos fiéis o contrário seria enganá-los e empurrá-los para desobedecerem à vontade de Deus, colocando desta forma em risco a sua salvação eterna.

Deus dá a cada homem a ajuda necessária para guardar os Seus mandamentos, sempre que ele Lho peça retamente, como a Igreja infalivelmente ensinou:

Deus jamais nos pede coisas impossíveis, mas quando pede uma coisa, aconselha que apenas façamos aquilo que pudermos, e que peçamos aquilo que não tivermos a possibilidade de fazer, pois Ele sempre nos ajuda com Suas graças para que consigamos fazer aquilo que Ele nos pede” (Concílio de Trento, sess. 6, cap. 11); e

“Se alguém disser que é impossível ao homem, ainda que batizado e constituído em graça, observar os mandamentos de Deus, seja excomungado” (Concílio de Trento, sess. 6, cap. 18).

Seguindo esta doutrina infalível, São João Paulo II ensinou:

“A observância da lei de Deus, em determinadas situações, pode ser difícil, até dificílima: nunca, porém, impossível. Este é um ensinamento constante da tradição da Igreja” (Encíclica Veritatis Splendor, 102) e

“Todos os cônjuges são chamados, segundo o plano de Deus, à santidade no matrimônio, e esta alta vocação realiza-se na medida em que a pessoa humana está em condições de responder ao comando divino com espírito sereno, confiando na graça divina e na vontade própria” (Exortação Apostólica Familiaris consortio, 34).

O ato sexual fora de um matrimônio válido e, especialmente, o adultério, é sempre objetivamente um pecado grave, e nenhuma circunstância ou fim pode torná-lo admissível e agradável aos olhos de Deus.

São Tomás de Aquino diz que o Sexto Mandamento é obrigatório, mesmo no caso em que, com um ato de adultério, se pudesse salvar um país da tirania (De Malo, q. 15, a. 1, ad 5).

São João Paulo II ensinou também esta verdade perene da Igreja:

“Os preceitos morais negativos, ou seja, os que proíbem alguns atos ou comportamentos concretos enquanto intrinsecamente maus, não admitem qualquer excepção legítima; eles não deixam nenhum espaço moralmente aceitável para a «criatividade» de qualquer determinação contrária. Uma vez reconhecida, em concreto, a espécie moral de uma ação proibida por uma regra universal, o único ato moralmente bom é o de obedecer à lei moral e abster-se da ação que ela proíbe” (Encíclica Veritatis splendor, 67).

Uma união adúltera de divorciados “recasados” civilmente, “consolidada”, como se diz, no tempo, e caracterizada por uma assim dita “comprovada fidelidade” no seu pecado de adultério, não pode alterar a qualidade moral do seu ato de violação do vínculo sacramental do matrimônio, ou seja, do seu adultério, que é sempre um ato intrinsecamente mau.

Uma pessoa que tem uma verdadeira fé e temor filial a Deus nunca pode ter “compreensão” com atos intrinsecamente maus, como é o caso dos atos sexuais fora do matrimônio válido, uma vez que estes atos ofendem a Deus.

Uma admissão dos divorciados “recasados” à Sagrada Comunhão constitui, na prática, uma dispensa implícita de cumprimento do Sexto Mandamento.

Nenhuma autoridade eclesiástica tem o poder de conceder tal dispensa implícita nem mesmo num só caso ou numa qualquer situação excepcional e complexa, nem que seja com a finalidade de alcançar um bom fim (como por exemplo a educação da prole nascida duma união adúltera), invocando para a concessão de tal dispensa o princípio da misericórdia, da “via caritatis”, o cuidado materno da Igreja, ou afirmando, em tal caso, não querer pôr tantas condições à misericórdia.

São Tomás de Aquino disse: “por nenhum fim alguém pode cometer adultério; pro nulla enim utilitate debet aliquis adulterium committere” (De Malo, q. 15, a. 1, ad 5).

Santo Tomás de Aquino. Bordado em Saint Dominic, Newcastle, Inglaterra
Santo Tomás de Aquino. Bordado em Saint Dominic, Newcastle, Inglaterra.
Uma normativa que permite a violação do Sexto Mandamento de Deus e do vínculo sacramental do matrimônio apenas num único caso ou em casos excepcionais, para evitar, presumivelmente, uma mudança geral das normas canônicas, significa sempre, porém, uma contradição da verdade e da vontade de Deus.

Consequentemente, é psicologicamente enganador e teologicamente errado falar, neste caso, de uma normativa restritiva ou de um mal menor em contraste com a normativa de caráter geral.

Sendo o matrimônio válido entre batizados um sacramento da Igreja e, pela sua natureza, uma realidade de caráter público, um julgamento subjetivo da consciência sobre a nulidade do próprio matrimônio, por contraposição à respectiva sentença definitiva do tribunal eclesiástico, não pode ter consequências para a disciplina sacramental, que tem sempre um caráter público.

A Igreja e, especificamente, o ministro do sacramento da Penitência, não têm a faculdade para julgar o estado da consciência dos fiéis ou a retidão de intenção da consciência, uma vez que «ecclesia de occultis non iudicat» (Concílio de Trento, Sess. 24, cap. 1).

O ministro do sacramento da Penitência não é, portanto, o vigário ou o representante do Espírito Santo, de modo que possa entrar com a Sua luz nas dobras da consciência, pois Deus reservou para Si o acesso à consciência: «sacrarium in quo homo solus est cum Deo» (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 16).

O confessor não pode arrogar-se a responsabilidade diante de Deus para dispensar implicitamente o penitente da observância do Sexto Mandamento e da indissolubilidade do vínculo matrimonial através da admissão à Santa Comunhão.

A Igreja não tem o poder de fazer derivar com base numa pretensa convicção da consciência sobre a invalidade do próprio matrimônio no foro interno, consequências para a disciplina sacramental no foro externo.

Uma prática que permite que as pessoas divorciadas civilmente, e assim ditas “recasadas”, recebam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia não obstante a sua intenção de continuar a violar o Sexto Mandamento e o seu vínculo matrimônio sacramental, é contrária à Verdade Divina e alheia ao sentido perene da Igreja Católica e ao comprovado costume recebido e fielmente preservado desde os tempos dos Apóstolos, e recentemente confirmado de modo seguro por São João Paulo II (cf. Exortação Apostólica Familiaris consortio, 84) e pelo Papa Bento XVI (cf. Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 29).

A prática mencionada seria para todo o homem que raciocina uma ruptura clara e, portanto, não representaria um desenvolvimento em continuidade com a prática apostólica e perene da Igreja, visto que contra um fato evidente não vale qualquer argumento: contra factum non valet argumentum.

Uma tal prática pastoral seria um contra-testemunho da indissolubilidade do matrimônio, e uma espécie de cooperação por parte da Igreja na difusão da “praga do divórcio”, sobre a qual alertou o Concílio Vaticano II (cf. Gaudium et spes, 47).

A Igreja ensina através daquilo que faz, e deve fazer aquilo que ensina. Sobre a ação pastoral em relação às pessoas em uniões irregulares dizia São João Paulo II:

“A ação pastoral procurará fazer compreender a necessidade da coerência entre a escolha de um estado de vida e a fé que se professa, e tentará todo o possível para levar tais pessoas a regularizar a sua situação à luz dos princípios cristãos.

“Tratando-as embora com muita caridade, e interessando-as na vida das respectivas comunidades, os pastores da Igreja não poderão infelizmente admiti-las aos sacramentos» (Exortação Apostólica Familiaris consortio, 82).

A prática pastoral da Igreja sobre o matrimônio e o sacramento da Eucaristia tem tal importância,
que deve evitar nesta matéria qualquer sombra de dúvida e confusão
Um acompanhamento autêntico das pessoas que se encontram num estado objetivo de pecado grave, e o correspondente caminho de discernimento pastoral, não podem subtrair-se a anunciar a essas pessoas, com caridade, toda a verdade sobre a vontade de Deus, a fim de que se arrependam de todo o coração dos atos pecaminosos de viver juntos, more uxorio, com uma pessoa que não é o seu legítimo cônjuge.

Ao mesmo tempo, um acompanhamento e discernimento pastoral autênticos devem encorajá-las a que, com a ajuda da graça de Deus, parem de cometer tais atos no futuro.

Os Apóstolos e toda a Igreja, ao longo destes dois mil anos, anunciaram sempre aos homens toda a verdade de Deus no que diz respeito ao Sexto Mandamento e à indissolubilidade do matrimônio, seguindo o aviso de São Paulo Apóstolo: «Jamais recuei quando era preciso anunciar-vos toda a vontade de Deus» (Act 20, 27).

A prática pastoral da Igreja sobre o matrimônio e o sacramento da Eucaristia tem tal importância, e consequências de tal modo decisivas para a fé e para a vida dos fiéis, que a Igreja, para permanecer fiel à palavra revelada por Deus, deve evitar nesta matéria qualquer sombra de dúvida e confusão.

São João Paulo II formulou esta verdade perene da Igreja assim: «É minha intenção inculcar em todos o vivo sentido de responsabilidade, que sempre nos deve guiar ao tratar das coisas sagradas; estas não são propriedade nossa, como é o caso dos Sacramentos; ou então têm direito a não serem deixadas na incerteza e na confusão, como são as consciências.

Coisas sagradas — repito — são uns e outras: os Sacramentos e as consciências; e exigem da nossa parte serem servidas com verdade. Esta é a razão da lei da Igreja» (Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, 33).

Não obstante as repetidas declarações a respeito da imutabilidade da doutrina da Igreja em relação ao divórcio, numerosas igrejas particulares aceitam-no agora através da prática sacramental, e esse fenômeno está em crescimento.

Apenas a voz do Supremo Pastor da Igreja pode evitar definitivamente que no futuro se venha a caracterizar a situação da Igreja dos nossos dias com a seguinte expressão:

“O mundo inteiro gemeu e percebeu com espanto que tinha aceitado o divórcio na prática” (ingemuit totus orbis, et divortium in praxi se accepisse miratus est), recordando um dito análogo com o qual São Jerônimo caracterizou a crise ariana.

Tendo em conta este perigo, que é real, e a ampla disseminação da praga do divórcio dentro da vida da Igreja, que é implicitamente legitimada pelas mencionadas normas e orientações de aplicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia, uma vez que essas normas e orientações de algumas igrejas particulares se tornaram, num mundo globalizado, de domínio público, e uma vez que as muitas súplicas feitas em privado e de modo confidencial ao Papa Francisco, por parte de muitos fiéis e Pastores da Igreja, se mostraram ineficazes, somos forçados a fazer este urgente apelo à oração.

Como sucessores dos Apóstolos, também nos impele a obrigação de levantar a voz quando se encontram em perigo as coisas mais sagradas da Igreja e a salvação eterna das almas.

As seguintes palavras de São João Paulo II, com as quais ele descreveu os ataques injustos contra a fidelidade do Magistério da Igreja, sejam para todos os Pastores da Igreja, nestes tempos difíceis, uma luz e um impulso para uma ação cada vez mais unida: «Não raro, de fato, o Magistério da Igreja é acusado de estar superado já e fechado às instâncias do espírito dos tempos modernos; de realizar uma ação nociva para a humanidade, e inclusive para a própria Igreja. Ao manter-se obstinadamente nas próprias posições — diz-se —, a Igreja acabará por perder popularidade e os fiéis afastar-se-ão cada vez mais dela» (Carta às Famílias, Gratissimam sane, 12).

Ultima Ceia, vitral da catedral de São Egídio, Edimburgo, Escócia
Ultima Ceia, vitral da catedral de São Egídio, Edimburgo, Escócia
Considerando que a admissão dos divorciados ditos “recasados” aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia, sem que lhes seja pedido o cumprimento da obrigação de viverem em continência, constitui um perigo para a fé e para a salvação das almas, e ainda uma ofensa à santa vontade de Deus, tendo também em conta que tal prática pastoral, por consequência, jamais pode ser uma expressão da misericórdia, da “via caritatis” ou do sentido maternal da Igreja para com as almas pecadoras, fazemos este apelo à oração profunda solicitude pastoral, para que Papa Francisco revogue de forma inequívoca as orientações pastorais já introduzidas em algumas igrejas particulares.

Tal ato da Cabeça visível da Igreja confortaria os Pastores e fiéis segundo o mandamento que Cristo, Supremo Pastor das almas, deu ao apóstolo Pedro e, através dele, a todos os seus sucessores: «Confirma os teus irmãos» (Lc 22, 32).

Que as vozes de um Papa Santo e de uma Doutora da Igreja, Santa Catarina de Sena, sirvam para todos, na Igreja dos nossos dias, de luz e fortalecimento:

«O erro ao qual não se resiste, será aprovado. A verdade que não se defende, será oprimida» (Papa São Félix III, † 492). «Santo Padre, Deus escolheu-Vos para coluna da Igreja, de modo que sois o instrumento para extirpar a heresia, confundir as mentiras, exaltar a Verdade, dissipar as trevas e manifestar a luz» (Santa Catarina de Sena, † 1380).

No ano 638, quando o Papa Honório I adotou uma atitude ambígua diante da difusão da nova heresia do monotelismo, São Sofrónio, Patriarca de Jerusalém, enviou um bispo desde a Palestina até Roma dizendo-lhe estas palavras:

“Vai à Sé Apostólica, onde estão os fundamentos da santa doutrina, e não cesses de rezar até que a Sé Apostólica condene a nova heresia.” A condenação veio depois, em 649, por obra do Papa santo e mártir Martinho I.

Fizemos este apelo à oração, cientes de que teríamos cometido um ato de omissão caso não o tivéssemos feito. É Cristo, Verdade e Supremo Pastor, Quem nos julgará quando vier.

A Ele pedimos com humildade e confiança que retribua todos os pastores e todas as ovelhas com a coroa imperecível da glória (cf. 1 Pe 5, 4).

Em espírito de fé e com afecto filial e devoto, elevamos a nossa oração pelo Papa Francisco: “Oremus pro Pontifice nostro Francisco: Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius. Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam Meam, et portae inferi non praevalebunt adversus eam“.

Como meio concreto, recomendamos rezar todos os dias esta antiga oração da Igreja ou uma parte do santo rosário com a intenção de que o Papa Francisco revogue de modo inequívoco aquelas orientações pastorais que permitem que os, assim chamados, divorciados “recasados” recebam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia sem que cumpram a obrigação de viver em continência.

Os três bispos autores do apelo.
Os três bispos autores do apelo.


18 de Janeiro de 2017, antiga festa da Cátedra de São Pedro em Roma.


+ Tomash Peta, Arcebispo Metropolita da arquidiocese de Santa Maria em Astana

+ Jan Pawel Lenga, Arcebispo-Bispo emérito de Karaganda

+ Athanasius Schneider, Bispo auxiliar da arquidiocese de Santa Maria em Astana


terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O fogo devora, o teto desaba,
e Cristo reina sobre os elementos descontrolados!

Imagem de Cristo Rei indene após feroz incêndio no Chile
Imagem de Cristo Rei indene após feroz incêndio no Chile
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Num incêndio iniciado no dia 2 de janeiro depois das 7h, a sacristia, o presbitério e um depósito da Paróquia Cristo Rei de Rancágua (Chile) ficaram completamente destruídas, segundo informou a agência ACI Digital. 

As chamas devoraram os paramentos e livros litúrgicos, os equipamentos de som.

Grande parte da cúpula e o teto do presbitério que desabou. O sacrário e algumas imagens foram resgatados pelos bombeiros.

O templo fazia parte do Lar São Joaquim do Pequeno Cottolengo, Obra Dom Orione, os idosos foram evacuados preventivamente e felizmente não houve vítimas mortais.

Entrementes, um fenômeno mudo mas eloquentíssimo, deixou pasmos a bombeiros e simples fiéis.

Na parede do presbitério tinham ficado intactas a imagem de Cristo Rei e a frase “Salve Cristo Rei do Universo”.

Nosso Senhor é Rei por natureza, pois é Deus, e Rei por conquista, pois Ele conquistou o mundo com o sacrifício do Calvário.

Muitas vezes, pessoas de pouca fé, ou tal vez tentadas, se perguntam por que Deus permite males para a Igreja como este incêndio.

Basta pensar na mensagem que a Providência deixou ilesa na parede como que nos convidando à reflexão: “Salve Cristo Rei do Universo”.

Nosso Senhor é levado seriamente em linha de conta e respeitado como monarca supremo em nossas vidas, em nossa legislação, nos costumes sociais, políticos, econômicos, eclesiásticos ou pessoais?

Ou Ele é esquecido enquanto Soberano do Céu e da Terra e a expressão Cristo Rei é apenas uma fórmula repetida sem tirar suas imensas consequências?

Não passamos por vezes junto de sua adorabilíssima imagem sem pelo menos a saudarmos, ainda que só de pensamento, como saudaríamos ao maior rei da Terra?

O que acharíamos se subitamente nos encontrarmos com a rainha Elizabeth II da Inglaterra numa carruagem dourada com toda a brilhante Guarda Real que é sua escolta, em luminosos uniformes?

É razoável ficarmos maravilhados com a surpresa. E, todos os dias que passamos diante de uma imagem de Cristo Rei, não reagimos com fervor muito maior?


Nosso Senhor sente essa frieza nossa, do mundo, de muitos na Igreja. Mas têm pena de nós.

E em Rancágua Ele nos lembrou de que Ele é esse Rei todo-poderoso contra quem nada podem as chamas de mais violento incêndio.

O pároco, Pe. Giacomo Valenza, disse à ACI que “Dom Orione dizia sempre: Ave Maria e avante. E as palavras de São Paulo dizem para todos aqueles que têm fé no Senhor, que tudo o que ocorre é para o bem”.

Eis mais um apelo de Nosso Senhor para nosso bem: levarmos bem a sério o caráter monárquico de Jesus Cristo e da sua Igreja.

E juntamente, como dizia Dom Orione, pensarmos em Maria Rainha do Céu e da Terra.

O mundo tem muitíssima necessidade dEla na quadra histórica que está passando, em que toda espécie de incêndios devoram as famílias, as sociedades e à própria estrutura monárquica da Igreja.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Santo Natal e Feliz Ano Novo !

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O fogo calcinou tudo,
mas o Sagrado Coração de Jesus ficou em pé

Estátua do Sagrado Coração de Jesus, única que sobrou, e em pé, após incêndios florestais em Sevier County, Tennessee (EUA), novembro 2016
Estátua do Sagrado Coração de Jesus, única que sobrou, e em pé,
após incêndios florestais em Sevier County, Tennessee (EUA), novembro 2016
Luis Dufaur
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Jornalistas da rede de TV CNN coletavam fotos das ruínas causadas por pavorosos incêndios florestais que atingiram Gatlinburg e outras cidades vizinhas no estado de Tennessee, EUA.

Foram contabilizados pelo menos treze mortos, mais de cem feridos, por volta de 1.400 edificações destruídas, em consequência do incêndio que um socorrista qualificou de “apocalipse”.

Mas a equipe ficou atônita diante de uma casa no condado de Sevier reduzida a cinzas fumegantes.

Entre os restos calcinados se mantinha de pé uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, manifestamente envolvida pelas chamas, mas que seguia apontando para as chamas de amor de Seu Coração que nunca se extinguem.

Os cinegrafistas constataram que a imagem era a única coisa que tinha sobrado da casa.

Na mesma semana, Isaac McCord, funcionário do parque temático local Dollywood, encontrou uma página parcialmente queimada de uma Bíblia. Nela podia se ler um versículo do livro de Joel:

“19. Clamo a vós, Senhor, porque o fogo devorou a erva do deserto, a chama queimou todas as árvores do campo;” (Joel 1,19)

Muitos julgaram ver no fato um sinal da realização próxima da advertência do profeta Joel, acompanhada de um apelo à penitência e à conversão:

Detalhe da imagem do Sagrado Coração que resistiu miraculosamente
Detalhe da imagem do Sagrado Coração que resistiu miraculosamente
“1. Tocai a trombeta em Sião, dai alarme no meu monte santo! Estremeçam todos os habitantes da terra, eis que se aproxima o dia do Senhor,

2. dia de trevas e de escuridão, dia nublado e coberto de nuvens. (...)

12. Por isso, agora ainda - oráculo do Senhor -, voltai a mim de todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos de luto.

13. Rasgai vossos corações e não vossas vestes; voltai ao Senhor vosso Deus, porque ele é bom e compassivo, longânime e indulgente, pronto a arrepender-se do castigo que inflige”. (Joel 2, 1-13)

Matéria para meditação no centenário das aparições e anúncios de Nossa Senhora em Fátima em 2017 que está chegando.


O canal KLTV entrevistou a Travis Cogdill filho dos moradores da casa onde foi encontrada a imagem do Sagrado Coração de Jesus impertérrita entre a devastação do incêndio.

Seus pais moraram 43 anos na casa que desapareceu. O incêndio chegou furiosamente. Seu pai é um veterano da guerra do Vietnã, mas ele nunca viu fogo igual.

Eles só puderam pegar alguns objetos de estimação e um objeto da árvore familiar do Natal. Não houve tempo para mais nada. Perderam tudo menos a vida.

Travis, voltou depois ao local, e encontrou seu pai apontando para o que – segundo ele – importa verdadeiramente: a imagem do Sagrado Coração de Jesus ainda permanece em pé.

Em meio às devastações, o amor ardente desse Coração sagrado continua derramando suas bênçãos doces, harmoniosas, ordenadoras e hierarquizantes, para os homens que se debatem atingidos por desgraças a que até podem envolvê-Lo a Ele próprio com satânico – mas impotente – furor.


Vídeo: O fogo tudo calcinou, mas o Sagrado Coração de Jesus ficou em pé




segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Sete jovens católicas escapam do Estado Islâmico
pela intercessão milagrosa da Virgem Maria

Nossa Senhora da Salvação
Nossa Senhora da Salvação
Luis Dufaur
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Sete estudantes universitárias católicas de Kirkuk, no Iraque, atribuem a Nossa Senhora o milagre de terem se salvado depois das oito horas terríveis que passaram escondidas debaixo de suas camas.

Ela ali ficaram enquanto terroristas do autodenominado “Estado Islâmico” usaram o quarto delas, eles próprios, como esconderijo durante um ataque à cidade acontecido sexta-feira passada, 21 de outubro.

“A Virgem Maria estava com elas“, afirmou em 23 de outubro o padre Roni Momika da diocese siro-católica de Mosul, à CNA, edição em inglês da Agência Católica de Informações (ACI).

O padre, que exerce o seu ministério nos campos de refugiados de Ankawa, em Erbil, norte do Iraque, esteve em contato por telefone celular com duas das meninas enquanto elas se escondiam debaixo das camas.

As duas jovens lhe relataram detalhadamente o que estava acontecendo.

“Os homens do Estado Islâmico entraram na casa das nossas alunas“, disse o padre.

Quando as jovens ouviram os militantes, foram rapidamente para baixo de quatro camas em um dos quartos – e lá permaneceram enquanto os terroristas usavam o mesmo quarto para comer, rezar, esconder-se das Forças Armadas iraquianas e tratar dois dos seus homens que tinham sido feridos.

O pe. Momika orientou as meninas a não se esquecerem da sua fé e a “rezarem à Virgem Maria, que irá em seu auxílio“.

De fato, tanto o sacerdote quanto as meninas consideram um milagre que os combatentes não as tenham visto.

“Quando os militantes do EI entraram no nosso quarto e não nos viram, nós sentimos que a Virgem Maria fechava os olhos deles“, declarou uma das alunas.

O padre Georges Jahola, da diocese siro-católica de Mosul foi levá-las a local seguro.
O padre Georges Jahola, da diocese siro-católica de Mosul foi levá-las a local seguro.
O ataque a Kirkuk fez parte de uma ofensiva mais ampla dos exércitos curdo e iraquiano para retomar a cidade de Mossul, nas mãos do Estado Islâmico desde 2014.

O pe. Momika explicou que as sete meninas estão entre os mais de 100 refugiados que frequentam a universidade de Kirkuk após terem sido expulsos daquela cidade.

Muitas das meninas são da própria Mossul e de cidades próximas como Bartella, Alqosh e Telskuf. Todas, antes da invasão dos terroristas, estudavam na Universidade de Mossul.

Suas famílias vivem hoje em campos de refugiados em Erbil, mas, para continuarem os estudos, elas foram matriculadas na Universidade de Kirkuk e passaram a morar em casas bancadas pela Igreja na cidade, evitando assim o alto perigo de ir e vir todos os dias entre os acampamentos e a universidade.

Após o extraordinário período de pavor vivido pelas jovens na sexta-feira, os padres George Jahola e Petros, da diocese siro-católica de Mosul, ordenados sacerdotes juntamente com o pe. Momika no dia 5 de agosto deste ano, foram a Kirkuk já na manhã seguinte para buscá-las e levá-las a salvo de volta para Erbil.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Sem família e sem propriedade: drama do desespero socialista

Desesperada na miséria e sem a consolação do catolicismo, Yang Gailan matou filhos, com idades entre 3 e 6 anos
Desesperada na miséria e sem a consolação do catolicismo,
Yang Gailan matou filhos, com idades entre 3 e 6 anos
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A chinesa Yang Gailan, de 28 anos, matou seus quatro filhos e depois se suicidou. Os jornais alegam que o fato dela ter cometido tal crueldade é por ter vivido na mais completa miséria [BBC].

A desesperada mãe matou os filhos com golpes de facão e, em seguida, ingeriu pesticida, segundo a BBC. Alguns dias depois, quando o pai chegou e soube da tragédia, também tirou a própria vida.

A camponesa morava na aldeia rural de Agu Sha, e o seu marido teria ido para a cidade em busca de algum trabalho e assim poder ajudar a família que estava vivendo na miséria. Ele mandava parte do pouco dinheiro que conseguia.

A crueldade cometida abriu um debate nas redes sociais a respeito da miséria na China comunista. Nesse país cerca de 80 milhões de seres humanos padecem a mais absoluta pobreza.

A maioria dessas pessoas vivem na área rural e a planificação agrária estatista lhes rende pouco dinheiro. Então, muitos dos jovens e adultos têm que migrar para as áreas urbanas em busca de trabalho e uma condição melhor de vida.

A China, que se orgulha de ser a segunda maior economia do mundo, tem mais de 15% da sua população na extrema pobreza [G1].

Expropriados e famintos, ex-agricultores devem migrar para as cidades e aceitar empregos mal pagos. Foto: em Hefei
Expropriados e famintos, ex-agricultores devem migrar para as cidades
e aceitar empregos mal pagos. Foto: em Hefei
O segundo maior PIB do mundo é devido ao modelo “um país, dois sistemas” [El País] em que Hong Kong e Macau podem fazer livre comércio com outros países.

Enquanto essas regiões, que foram colônias da Coroa Britânica e de Portugal, continuam tendo um crescimento na economia, a miséria predomina na China continental sob o total dirigismo de um regime socialista.

O controle do Partido Comunista vai além de questões econômicas. Com a “Revolução Cultural” [“Livro Negro do Comunismo revela o maior crime da História”, Catolicismo, fevereiro de 2000] Mao Tsé-tung, fundador do comunismo chinês, tentou laicizar o país, perseguindo a professores, intelectuais e à Igreja Católica, em nome da igualdade das classes sociais.

A Revolução Cultural tratou de pulverizar os vestígios do passado, de tudo quanto falasse da alma, do espiritual ou que evocasse a beleza.

Assim foi esmagada a China dos mandarins, das porcelanas, dos marfins entalhados, das pinturas em lenços de seda, da poesia e da música, das especiarias e das maravilhas de arte sutil e quintessenciada.

Tinha um papel no Oriente comparado com o da França no Ocidente, malgrado as influências deformantes do paganismo.[“Clinton, nas pegadas de Nixon, capitula diante do comunismo jet-set chinês”, Catolicismo, dezembro de 2015]

O comunismo acabou com essas maravilhas da China, tornando-a muito pior que o paganismo corroído pela superstição e por tendências para o satanismo.

A Revolução comunista não se contenta em conquistar uma nação, ou o mundo, ela deseja conquistar o homem, em todas as suas potencialidades.

Os comunistas chegaram até a colocar o controle de natalidade como lei, impondo que cada casal só poderia ter um filho, agora dois com algumas restrições.

Agricultores foram jogados na miséria e têm que esconder seus filhos de medo do governo.jpg
Agricultores foram jogados na miséria e têm que esconder seus filhos de medo do governo.
Mas, Yang Gailan conseguiu ter 4 filhos burlando o controle do governo comunista mais ficando em tremenda ameaça permanente.

Sem a Fé não resistiu. E infelizmente acabou matando seus filhos e depois se suicidando.

Muitas outras famílias que moram na área rural conseguiram ter mais de dois filhos, mas devido à reforma agrária e ao controle que o governo tem de todas as terras, eles não conseguem sair da miséria só com a agricultura.

Durante 4.000 anos a agricultura foi um dos alicerces da civilização chinesa, uma das mais requintadas e ricas da História.

A apropriação socialista das terras empurrou os que viviam da agricultura tiveram para as áreas urbanas. O comunismo expropriou todas as terras particulares e instalou à produção agrícola estatal em escala cada vez maior, [UOL] e com isso o lucro, alias muito deficiente, ficaria todo para o governo.

Se a China não fosse comunista e tivesse um governo que permitisse a privatização das terras, poderia abrir espaço para uma nova classe de fazendeiros que gerariam empregos e alimentariam milhões de famintos no país-continente.

No Brasil, graças predominantemente à ação do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira e seus seguidores a reforma agrária socialista e confiscatória não avançou e com isso o agronegócio privado garante emprego e renda para os brasileiros e alimenta no total um bilhão de seres humanos.[Agência Brasil]

Simultaneamente, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira se encontra engajado na defesa ativa contra a Revolução Cultural que intenta dissolver a família atacando-a em vários frentes: a malfadada "ideologia de gênero", o aborto, o "casamento homossexual" e a eutanásia, entre outros aspectos.

Muitos aspectos que visam um objetivo: desfazer a família, despojá-la do teto sob o qual se reúne e fabricar o indivíduo isolado, grão de areia sobre o qual se aplica a máquina desapiedada do socialismo.



quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Vida natural e orgânica, existência artificial e mecânica

Many Happy Returns of the Day, William Powell Frith (1819 – 1909), 1856. Mercer Art Gallery, Harrogate Museums and Arts.
Many Happy Returns of the Day, William Powell Frith (1819 – 1909), 1856.
Mercer Art Gallery, Harrogate Museums and Arts.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Uma sala que se percebe ter proporções inteligentemente calculadas: bastante alta e bastante larga para dar a um tempo as impressões harmonicamente contrárias de aconchego e desafogo.

Nela cabem folgadamente os móveis, os quadros, o lustre, as pessoas, com espaços largamente suficientes para que estas se movam despreocupadamente, sem a todo momento esbarrar em alguma coisa ou em alguém.

Os móveis não são de luxo. Sólidos, decentes, cômodos, aprazíveis ao olhar, prestam-se eles também folgadamente ao uso humano.

Boa mesa espaçosa junto à qual pode sentar-se uma família numerosa, e sobre a qual podem acumular-se sem transtorno as iguarias sadias e modestas servidas num almoço de aniversário, de uma família situada entre a pequena e a média burguesia.

Cadeiras bem torneadas, de linhas amenas, suficientemente fortes para durar indefinidamente.

Grande tapete – sem luxo, e de fabricação comercial, vê-se – que dá certo calor à sala.

As roupas estão em exata coerência com o ambiente. De bom tecido, confortáveis, e com um talhe ao qual não falta certa distinção burguesa. A criada, de apresentação mais modesta embora, traja-se com decência e conforto.

Pela janela, protegida por stores e cortina, entra uma luz amena, largamente suficiente para a sala toda, mas graduada de maneira a não ferir os olhos, e a conservar uma claridade calma e temperada no ambiente.

* * *

Calma, temperança, amenidade, eis bem as notas dominantes do quadro. Os trajes sumamente recatados dão um aspecto de pureza a esta vida de família, que explica por sua ver a amenidade de seu convívio.

Many Happy Returns of the Day, William Powell Frith (1819 – 1909). Mercer Art Gallery, Harrogate Museums and Arts, detalhe.
Many Happy Returns of the Day, William Powell Frith (1819 – 1909).
Mercer Art Gallery, Harrogate Museums and Arts, detalhe.
Numa família em que tenha entrado o verme roedor da impureza, as almas não têm saúde nem frescor para se deleitar em afetos castos como os do lar.

Todos se sentem felizes e distendidos nesse ambiente em que cada qual se sabe estimado, apoiado e considerado segundo merece.

* * *

Falamos muito intencionalmente em consideração. Note-se a situação do velho casal. O que a família tem de mais afetivo volta-se para ele. As duas filhas ladeiam a mãe cheias de respeitoso afeto.

A menina sente-se feliz e honrada em apresentar uma bebida ao avô, sob o olhar atento e simpático do homem de idade madura.

Para a alegria das crianças há também um lugar, nesta reunião. Os dois meninos conversam risonhos, uma outra criança está sendo carinhosamente servida por sua mãe.

Mais além, outra ainda, de índole tranquila, goza em paz o seu sossego. E enquanto isto a pequena aniversariante, feliz e grave como uma rainha sob seu arco de flores, acaba de saborear uma iguaria, e seu olhar vagueia pela sala, a um tempo despreocupado e atento.

Mas se é larga a parte das crianças, não são elas que dominam a sala…

* * *

Ambiente confortável, sadio, plácido, casto, que mereceria até ser comparado ao dos “Buissonnets” de Lisieux, se na sala se notasse alguma imagem, e uma nota sobrenatural que transcendesse, iluminasse e desse mais elevação a este interior doméstico tão rico em valores tradicionais de autentica civilização cristã.

Em suma, ambiente favorável à saúde da alma e do corpo, que dispõe admiravelmente os espíritos para a virtude sólida, seria, equilibrada e estável.

* * *

Praça de alimentação em qualquer parte do mundo.
Praça de alimentação em qualquer parte do mundo.
Anonimato, burburinho, aperto, pressa, preocupação. Enquanto uns comem rapidamente uma comida feita em série, outros esperam sua vez. Ninguém sorri. Uma ou outra pessoa diz alguma coisa, mas não há conversa.

Todos pensam no trabalho que fizeram ou no trabalho que irão fazer. Muitos homens estão de chapéu, como se estivessem numa estação ou num ônibus. Note-se entretanto como se vestem os personagens: são todos de uma camada equivalente à média ou pequeno burguesia.

Precisamente o nível da família do quadro acima. É’ o interior de um restaurante-relâmpago numa grande cidade moderna. E assim almoçam em quase todos os dias do ano milhões de pessoas, e muitas além de almoçar também jantam.

E poderia ser de outro modo? As grandes aglomerações, a consequente concentração dos negócios, a celeridade do ritmo de vida que daí decorre, acentuada ainda pela vertiginosa facilidade que o radio, o telégrafo e o telefone trazem à rápida circulação do dinheiro, tudo enfim concorre para dar ao homem moderno condições de vida muito trepidantes.

* * *

Sim. Mas a que preço para sua saúde, seus nervos, seu equilíbrio, sua virtude, sua vida de família? Não há nisto uma expressão da mecanização perigosa da vida, contra a qual o Santo Padre (Pio XII) alertou o mundo?


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo” Nº 58 – Outubro de 1955).

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Acabar com as criancinhas
para desaquecer o planeta?

Para combater a "mudança climática", ONGs ecologistas pedem reduzir crianças até uma média estatística de "meio filho" por casal (sic!).
Para combater a "mudança climática", ONGs ecologistas pedem reduzir crianças
até uma média estatística de "meio filho" por casal (sic!).
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Tubarões assassinos, crocodilos perigosos, javalis predadores ou lobos devoradores de gado: todos eles são espécies protegidas pela estranha religião “verde” ainda que causem danos ao homem e a outros animais.

Mas os homens têm que ser reduzidos em número, em direitos, em condições de vida, segundo decreto dessa mesma religião! Têm que ficar insustentáveis nesta terra!

Eles são os únicos seres que não podem nem devem cumprir o preceito ecológico de se auto-sustentar.

O jornal “The Washington Post” trouxe esclarecedor matéria a respeito. Militantes contra o “aquecimento global” se mobilizaram para cortar a taxa de nascimentos de crianças nos EUA.

O sofisma arguido, com muito sabor de luta de classe de pobres contra ricos, diz que os países ricos deveriam desencorajar as pessoas que querem ter filhos.

A causa? Para protegê-los contra os danos – fictícios ou montados artificiosamente – do “aquecimento global” num século venturo e também para reduzir emissões que não explicam claramente.

Travis Rieder, diretor do Instituo Berman de Bioética na Universidade Johns Hopkins, disse à National Public Radio (NPR) que derrubar a fertilidade humana global a meio filho por mulher “poderia ser a coisa que vai nos salvar”.

“Eis um pensamento estimulante: tal vez nós salvaremos nossos filhos não os tendo”, disse.

Ele propôs desanimar a procriação com novos impostos impedindo que os pobres tenham crianças, e impondo penalidades tributárias aos ricos. Algo assim como uma ‘taxa carbono aplicada contra os filhos’.

Rieder acrescentou que essas punições funcionariam melhor contra os ricos. Por sua vez os países ricos dariam o exemplo aos pobres de não ter filhos.

Enfermeira cuida de recém-nascidos em hospital de Jamestown, EUA. Na proposta ambientalista, esta profissão deverá ser vista com maus olhos.
Enfermeira cuida de recém-nascidos em hospital de Jamestown, EUA.
Na proposta ambientalista, esta profissão deverá ser vista com maus olhos.
A proposta é mais radical que a “política do filho único” – pois seria só “meio filho” – e ficou registrada no livro “Population Engineering and the Fight Against Climate Change” (“Engenharia Populacional e o Combate contra a Mudança Climática”) que Rieder escreveu com mais dois professores da Universidade de Georgetown.

A ONG “Futuro concebível” de New Hampshire também adota como premissa a disparatada tese de que “a crise do clima é uma crise reprodutiva”, escreveu o “Washington Times”.

Os extremistas ambientalistas tentaram logo dissimular o fundo totalitário de suas propostas, alegando que não propunham medidas coercitivas, nem leis despóticas como fez a China com a famigerada e fracassada “política do filho único”.

Porém, Marc Morano, diretor do site Climate’s Depot especializado em denunciar as fraudes do ambientalismo radical, observou que as normas ditatoriais que esses ativistas negam com a língua, na prática seriam logicamente inevitáveis se se aprovam suas antinaturais premissas.

Morano também observou que os grupos que se dizem contra a “mudança climática” agora insistem que os homens deveriam ter menos contatos sexuais para conseguir um planeta menos cálido, e também para diminuir a natalidade.

“Os aquecimentistas já cansaram de combater as lâmpadas elétricas, as termoelétricas a carvão, os carros 4X4, e agora se assanham para ficar controlando o tamanho das famílias dos outros”.

Rieder anunciou o livro “Toward a Small Family Ethic: How Overpopulation and Climate Change are Affecting the Morality of Procreation” (“Rumo à ética da família pequena: como a superpopulação e a Mudança Climática estão afetando a moralidade da procriação”).

O disparate anticristão e antinatural salta aos olhos.


terça-feira, 30 de agosto de 2016

Mais de 10% da população latino-americana
descendem de nobres

Casamento de Martín García de Loyola (parente de Santo Inácio)
e Beatriz Clara Coya (da família real dos Incas).
Igreja da Companhia, Cusco, Perú, século XVII
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Entre 10% e 15% da população latino-americana atual descendem de nobres espanhóis e portugueses, segundo as pesquisas genealógicas e demográficas do sociólogo colombiano Mario Jaramillo e Contreras, membro da Junta Diretiva da Real Associação de Fidalgos da Espanha (RAHE), noticiou a UOL.

Jaramillo investigou durante anos o impacto dos descendentes da nobreza espanhola e portuguesa na população latino-americana.

E defende a necessidade de se desmitificar a “lenda negra” que identifica como “delinquentes ou aventureiros sem escrúpulos” a grande maioria dos espanhóis que embarcaram nos séculos XV e XVI com destino às terras americanas.

“Foram milhares os nobres que embarcaram naquelas viagens, com a ideia de conhecer o Novo Mundo, primeiro”, e a fim de “contribuir para seu desenvolvimento político, econômico e cultural”, argumenta.

O especialista assegura que foram eles “os grandes protagonistas no descobrimento e colonização da América Latina”.

Jaramillo acrescenta que os processos americanos de independência em relação à Espanha e a Portugal no século XIX “não se entenderiam sem a participação direta de nobres”.

Por isso, ressalta ele, “os conceitos de nobreza e fidalguia são avaliados muito positivamente na América Latina”.

O sociólogo diz tratar-se de conceitos “que envolvem orgulho em boa parte da população” latino-americana.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Redes sociais: perigos concentrados entre os 8 e 12 anos

Micaela Ortega de 12 anos. Seu assassino (preso) a enganou por meio de Facebook.
Micaela Ortega de 12 anos. Seu assassino (preso) a enganou por meio de Facebook.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Um caso horrível verificou-se na Argentina. Micaela Ortega, de 12 anos, foi assassinada após encontrar-se com um homem de 26 que conheceu pelo Facebook.

As crianças de 8 a 12 anos presas à Internet constituem o grupo mais vulnerável para um abusador sexual, alertou o procurador argentino Horacio Azzolín, da Unidade Especializada em Ciberdelinquência (Ufeci).

Segundo especialistas citados pelo diário “La Nación” de Buenos Aires, os pais que começam a se preocupar com a vida virtual de seu filho quando esse faz 12 anos estão chegando tarde.

Ainda são crianças, mas não estão mais na infância. Tudo as encaminha precocemente para a vida adulta, mas não desenvolveram os mecanismos psicológicos para viver entre adultos.

Só viveram absorvidas por relações virtuais, quase sem contato com o mundo, e são ignorantes e inermes face aos perigos do mundo real.

“Ë preciso começar mais cedo, pois a partir dos 8 anos já correm risco”, disse Sebastián Bortnick, presidente da ONG argentina Cibersegura, que promoveu a lei que transformou em delito o acosso sexual a menores pela Internet e outros meios eletrônicos.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

“Ideologia de gênero” e “verdes”
saem ridicularizados em Parlamento alemão

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O deputado alemão Steffen Königer, católico de 45 anos e pai de duas crianças, deixou em ridículo a presidência do Parlamento regional de Brandenburgo, nordeste da Alemanha, segundo narrou o site “Religión en Libertad”.

Empresário, Steffen especializou-se em Psicologia, Ciências Políticas e História. Em outubro de 2014 foi eleito deputado pelo partido AfD [Alternative für Deutschland, Alternativa para Alemanha], agrupação oposta à tirania antifamília e antipropriedade privada imposta pela União Europeia, superestrutura ditatorial que está favorecendo agora a invasão dos muçulmanos.

Em 9 de junho votava-se uma proposta do Partido Verde, de extrema-esquerda, favorável à “Campanha pela aceitação da diversidade sexual e de gênero e a autodeterminação contra a homofobia e a transfobia (sic!) em Brandenburgo”. A iniciativa visceralmente anticristã incluía o reconhecimento de mais de 60 sexos diferentes (sic!).

terça-feira, 9 de agosto de 2016

“Pastoras nunca mais!”, pedem luteranos.
“Diaconisas e sacerdotisas!”, pede o “progressismo católico”

Aija Graham, obispa' da 'Igreja Evangélica Luterana Unida da Letônia', eleita em 2014. Desacordo geral.
Aija Graham, obispa' da 'Igreja Evangélica Luterana Unida da Letônia',
eleita em 2014. Desacordo é geral.
Luis Dufaur
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O Sínodo da igreja evangélica luterana da Letônia aprovou, com maioria de 77%, a interdição de nomear mulheres pastoras.

Ela anulou assim a norma de 1975, emanada ainda sob a dominação soviética, informou Riforma.it, quotidiano das igrejas protestantes da Itália.

A velha norma foi repelida em proporções massivas. De fato, já não havia condições para uma mulher ser aceita como pastora.

Os luteranos não conseguiam fugir com honradez dos ensinamentos de São Paulo na sua primeira carta a Timóteo:

11. A mulher ouça a instrução em silêncio, com espírito de submissão.

12. Não permito à mulher que ensine nem que se arrogue autoridade sobre o homem, mas permaneça em silêncio.

Ignorantes do verdadeiro sentido dos textos evangélicos, os setores mais avançados do luteranismo acusavam estultamente de “machista” a voz do Espírito Santo, expressa através da pena do Apóstolo das Gentes.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Muçulmanos tornam-se católicos e ingressam na “Igreja das Catacumbas” no Oriente… e no Ocidente!

O Pe Gottfried Martens batiza família iraniana em Berlim. Ex-muçulmanos constituem maioria dos 900 paroquianos.
O Pe Gottfried Martens batiza família iraniana em Berlim.
Ex-muçulmanos constituem maioria dos 900 paroquianos.
Luis Dufaur
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A grande mídia fala muito pouco, mas um número crescente de refugiados muçulmanos na Europa está se convertendo ao cristianismo, escreveu o jornal britânico “The Guardian”, citado pelo site “Aleteia”.

Na Áustria, por exemplo, só no primeiro trimestre de 2016 a Igreja Católica registrou 300 pedidos de batismo de adultos, 70% dos quais eram refugiados.

Os fiéis da igreja da Trindade, em Steglitz, Berlim, aumentaram há dois anos de 150 para 700, devido, segundo o pároco Gottfried Martens, às conversões de muçulmanos.

Em Liverpool, Inglaterra, a maioria das cerca de 100 a 140 pessoas que assistem à missa semanal em língua farsi é constituída por imigrantes do Irã e do Afeganistão. Um em cada quatro deles é convertido do islã, conforme levantamento realizado pelo bispo de Bradford, Dom Toby Howarth.

A conversão é uma questão delicada, porque o Corão rotula de apóstatas aqueles que se tornam cristãos e manda matá-los.